Responda a esta
pergunta: Qual é o pior tipo de violência que um ser humano pode praticar
contra outro? Física? Psicológica? Moral? Não saberia te responder, porém
acredito que contra uma mulher, não há violência pior do que a sexual. Todas as
crenças, dogmas e pensamentos que rondam a mente da mulher tornam-se
estigmatizados de forma brutal quando um ato desumano como este acontece. Ao ler que uma menina de oito anos morreu em lua de mel (acredito que esta expressão não deveria ser atribuída neste
contexto, pois quando ouço falar em lua de mel a imagem que me vem a cabeça é
a de um casal feliz, que acaba de se casar e planejam juntos como será o resto
de suas vidas) devido à ferimentos internos no útero, me lembrei de um livro
que virou Best Seller há alguns anos e que foi escrito pelo autor afegão Khaled
Hosseini, chamado A Cidade do Sol, que conta de forma muito real, até cruel
eu diria, o dia-a-dia das pessoas que vivem no Afeganistão, principalmente a
vida das mulheres, que em algumas regiões do Oriente Médio são tratadas como
mercadorias. (Inclusive, comecei a ler o livro novamente, um dos melhores dramas
que já li). O que me leva a seguinte pergunta: Até onde a cultura de um país
pode ser vista como hábito e passa a cruzar a linha tênue que a separa da
violência, brutalidade ou até desumanidade? Sabemos que as injustiças no mundo
são gigantescas e sabemos também que (ainda) existem muitas pessoas que lutam
todos os dias para corrigir essas injustiças. Porém, hoje quero me atentar a
esta forma de violência que pra mim, é uma das mais inadmissíveis que existe. É
certo concordarmos com um hábito cultural de se vender seres humanos em troca
de poucos trocados, para que se transformem em escravos sexuais? É certo
fecharmos os olhos para os abusos cometidos por soldados americanos que
violentam pessoas em zonas de guerra? Angelina Jolie, que além de atriz é
representante das causas sociais para refugiados da ONU, há alguns meses fez um
discurso sobre o tema no encontro do G8 (grupo que reúne líderes dos países
mais poderosos do mundo). É triste saber que só após uma “bronca” pública da
genial Angelina é que esses líderes resolveram se mobilizar e disponibilizar
verba para que esta violência seja controlada e deixe de ser mais uma arma de
guerra, que por si só já destrói tantas pessoas. Será que é tão difícil
imaginar que um dia veremos menos notícias tristes sobre o horror da guerra,
seja ela qual for, e possamos nos deparar com crianças que um dia foram
refugiadas, que perderam sua infância, sua família, sua liberdade, sua vida... tão
cedo e de forma tão brutal, mas que hoje, de alguma forma superaram este
pesadelo e são pessoas felizes, realizadas e dispostas a viverem sem receios,
acreditando num mundo melhor?
Espero,
sinceramente, que a exemplo desta frase aqui embaixo, a felicidade deixe de ser utopia e passe a ser um sentimento real; e que principalmente todo ser humano
tenha direito a ela, seja aqui, ou em qualquer lugar do mundo.
"A felicidade só deixa de ser utopia quando nos completamos com a inteligência e o afeto do outro."
(Gabriel Chalita)
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